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segunda-feira, 12 de julho de 2010

A FUNÇÃO SOCIAL DO OBJETO SIGNO

[Newsies at Skeeter Branch by Lewis Hine, 1910]

JEAN BAUDRILLARD
PARA UMA CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA DO SIGNO

Primeira Parte

FUNÇÃO-SIGNO E LÓGICA DE CLASSE

I
A FUNÇÃO SOCIAL DO OBJETO SIGNO
Fichado por Alisson Gebrim Krasota
Uma verdadeira teoria do consumo dos objetos não deve reproduzir a ideologia de consumo que apregoa manifesta e conscientemente seu valor de uso em decorrência da relação técnica com o mundo e da satisfação de necessidades “naturais” do indivíduo. Antes, deve levar em conta o discurso social e inconsciente da função distintiva do consumo dos objetos.

Originalmente, a exemplo da kula, o consumo de bens é uma instituição, que no seu inerente constrangimento cultural, busca a prestação social hierárquica, por detrás das superestruturas da compra, do mercado e da propriedade privada.
Segundo Veblen, acompanha a função de trabalhar e produzir das classes submetidas, a função de ostentar o prestígio do Senhor. Quando aquelas estão sujeitas ao ócio, este é precisamente o momento ótimo da ostentação do standing do Senhor.

"é sempre naquilo que têm de inútil, de fútil, de supérfluo, de decorativo, de não funcional, que se constituem categorias inteiras de objectos (bibelots, gadgets, acessórios) o jogo da moda; os objectos nunca se esgotam naquilo para que servem, e é neste excesso de presença que ganham a sua significação de prestígio, que 'designam' não já o mundo, mas o ser e a categoria social do seu possuidor."(BAUDRILLARD, p.14)
Síntese de duas morais contrárias (da moral aristocrática do “otium” e da ética puritana do trabalho), o objeto apresenta um simulacro funcional que serve de álibi à função distintiva. Assim, o objeto funcional reveste-se da inutilidade da decoração e o objeto inútil, de uma razão prática, mas todos os objetos se submetem à moral democrática do esforço, do fazer e do mérito.
O objeto, antes de ser o lugar da satisfação de necessidades, é o lugar de um trabalho simbólico de distinção, não no sentido psicológico da concorrência consciente pelo mais bonito, mas sim na mecânica social largamente inconsciente.
Referência bibliográfica:
BAUDRILLARD, Jean. A função do objeto signo. In: BAUDRILLARD, Jean. Para uma crítica da economia política do signo. São Paulo: Martins Fontes, [?]. pp. 11 - 16

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