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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NATUREZA E CULTURA

José Medeiros (Indio Iaulapitis, Serra do Roncador, Parque do Xingu, Mato Grosso, 1949, Acervo IMS)

NATUREZA E CULTURA
CLAUDE LÉVI-STRAUSS

Fichado por Alisson Gebrim Krasota


Onde acaba a natureza? Onde começa a cultura? Como distinguir um processo natural de um cultural? Sendo o homem um ser ao mesmo tempo biológico e social, como entender nele a passagem da natureza para a cultura?

Segundo Lévi-Strauss, o estado de natureza é antes um exercício lógico do que um fato cronológico e é impossível esperar observar no homem um comportamento pré-cultural, pois se o homem é um animal doméstico, é o único que domesticou a si mesmo.

Entre os fatos históricos, o homem de Neanderthal, com seu possível conhecimento da linguagem, não pode ser considerado como vivendo em um estado de ausência de organização social. Tampouco o caso das “crianças selvagens”, cujas circunstâncias da descoberta são duvidosas, pode depreender que o homem sem cultura é imbecil, visto que a anormalidade congênita fora a causa do abandono.

Entre os métodos, um consistiria em isolar uma criança recém-nascida para que, imune aos condicionamentos sociais, ficasse sujeita à observação de suas primeiras horas ou dias, porém os mecanismos fisiológicos ainda não desenvolvidos devido à precocidade da observação comprometeriam as conclusões. Caso se corrigisse isso prolongando o tempo de observação, o meio que satisfizesse as condições de isolamento seria tão artificial quanto o meio cultural que pretende substituir.

Outro consistiria em buscar nos atributos da natureza das sociedades animais um modelo cultural universal. Porém, entre os insetos a transmissão hereditária e o equipamento anatômico necessário para satisfação dos instintos não contempla linguagem, instrumentos, instituições sociais e sistemas de valores estéticos, morais ou religiosos, e mesmo quando há indícios disso na outra ponta da escala animal, caso dos macacos antropóides como o chimpanzé, não há regularidade no comportamento coletivo e o pasmo recai sobre a impossibilidade de desenvolução ainda que não haja obstáculo anatômico para isso.

Se a ausência de regra parece ser o critério mais seguro para identificar a natureza, implicando universalidade e espontaneidade, o oposto serve para qualificar a cultura, isto é, a norma e seus atributos do relativo e do particular. A proibição do incesto constitui exceção ao sintetizar os critérios da norma e da universalidade, visto que apesar de variar para cada sociedade a proibição do incesto está presente em todas.
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Referência bibliográfica:
LÉVI-STRAUSS, Claude. Natureza e cultura. In.: As estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes, 2009. pp. 39 - 48.

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