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quarta-feira, 27 de julho de 2011

PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO DE AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO

Reflection (self portrait)
Lucien Freud, 1985;
Oil on canvas, 56.2 x 51.2 cm;
Private collection


ÉMILE DURKHEIM

PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO DE AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO



Fichado por Alisson Gebrim Krasota

I


O prefácio se abre com o levantamento das acusações que seu livro, As Regras do Método Sociológico, suscitou. Entre elas as de realismo, ontologismo e de eliminar o elemento mental. Durkheim saúda-as, faz breve resignação em virtude do atual progresso da ciência e depois reafirma seus argumentos.

Adverte que os fatos sociais parecem, à primeira vista, transparentes ao espírito e que podemos nos imaginar seus conhecedores de causa, uma vez que os formamos. No entanto, as representações que deles adquirimos, sem método e crítica, são desprovidas de valor científico. Além disso, muito mais do que os formamos, os herdamos de gerações anteriores, e portanto, não participamos de sua gênese, e mesmo nos raros casos em que participamos, não podemos estar seguros de suas causas, pois se desconhecemos até as motivações que guiam nosso comportamento privado, quanto mais as causas do comportamento da coletividade.


Após a sociologia se desramificar da filosofia e de sua pura erudição, ela assume um método científico para conhecer seu objeto, que são os fatos sociais. Tal método consiste em considerar os fatos sociais como coisas. Isso não é uma classificação e nem se propõe que os fatos sociais são materiais, antes se trata de uma atitude mental e que os fatos sociais são coisas como as materiais. Em outras palavras, o método que é a atitude mental de considerar os fatos sociais enquanto coisas, significa que eles não podem ser conhecidos por simples instrospecção, mas requerem observação e experimentação de sua exterioridade imediatamente acessível, para conhecer as causas de que dependem e passar à sua profundidade.

Ainda, segundo Durkheim, o único conhecimento científico interior é a matemática, sendo os fatos interiores da psicologia individual opacos, por não revelarem sua natureza e gênese e por serem acessíveis somente através de sensações não-claras.


Durkheim confirma que o método muda à medida em que a ciência avança, mas também assevera que "faça-se o que se fizer, sempre é necessário recorrer ao mesmo método" (2005, p. 19) querendo com isso, talvez, dizer que há de se refinar o método sobre a base de tratar os fatos sociais inteligíveis em si mesmos através da observação empírica e verificação segura de sua exterioridade.

II


Os indivíduos são os elementos ativos que integram a sociedade, mas para se compreender como a sociedade se representa e ao mundo que a rodeia, não devemos buscar, como sugere o senso comum, nas representações individuais a resposta. Isso porque as representações coletivas, ao decorrerem da combinação das representações individuais, são exteriores aos indivíduos, pois resultam de sínteses que se situam fora deles, possuindo um substrato e leis próprios e alheios à percepção confusa da consciência, ou seja, a compreensão dos fenômenos sociais reside no todo e não nas partes que o compõem.


Isto não significa dizer que os fatos sociais não sejam psíquicos, pois sendo a consciência coletiva síntese da combinação das consciências individuais, consiste ela também em maneiras de agir e pensar. No entanto, as semelhanças entre a sociologia e a psicologia, até o presente momento, param por aí, pois ainda não foi realizada uma análise formal que compare e comprove mesmas leis abstratas de atração e repulsão na associação de ideias coletivas (mitos, lendas, concepções religiosas, crenças morais etc.) e individuais.


Se as semelhanças ainda não foram estabelecidas, as diferenças parecem estar melhor demarcadas, pois é mais provável que o conteúdo das representações interfira no modo como elas se combinam, devendo assim as representações coletivas dizerem respeito tão somente a si mesmas.


III


A coercitividade não é a característica única nem exclusiva dos fatos sociais. Por um lado, tudo o que é real exerce constragimento e por outro há coerções sociais não tão constrangedoras, na medida em que se lucra com seu funcionamento. No entanto, dizer que fenômenos da natureza apresentam características de fatos sociais simplesmente por serem realidades exteriores aos indivíduos, não implica dizer que a especificidade dos fatos sociais é sua produção na e pela sociedade. O fato social é uma representação da realidade ,resultante da combinação de ações individuais, que goza de prestígio suficiente para implicar relações necessárias vividas como obrigação social, que conformam os indivíduos a modos de agir e pensar que não dependem da vontade particular de cada um.


Há de se notar que a imposição dos fatos sociais sobre os indivíduos não acarreta a sua perfeita reprodução. Sobre um campo de variações limitadas, ao assimilar os fatos sociais os indivíduos os individualizam, incutindo-lhe suas matizes próprias. Porém, o reconhecimento dessas pequenas modificações individuais dos fatos sociais não impede os indivíduos de negar os limites a que foram submetidos, ignorando que de sua ilusão de onipotência advém a causa de sua fraqueza.

Referência bibliográfica:
ÉMILE, Durkheim. Prefácio à segunda edição. In.: ÉMILE, Durkheim. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 15 - 27.

2 comentários:

  1. professor, vim aqui para te lembrar de postar sua organização das aulas do semestre. haha

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  2. Olá Hanna,

    Agradecido pela lembrança (cobrança). Fiquei inspirado e fiz dois curtos posts a respeito. Fui conferir seu blog. Legal! Boa noite a té amanhã,

    A.

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