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sábado, 28 de julho de 2012

Como Analisar Narrativas - Cândida Vilares Gancho

Nighthawks 
1942 (120 Kb); Oil on canvas, 30 x 60 in; The Art Institute of Chicago



Como Analisar Narrativas
Cândida Vilares Gancho

Fichado por Alisson Gebrim Krasota

TEMA DA PESQUISA
Análise de narrativas

CONTEÚDO FICHADO

Cap. I – A narrativa literária
            Os gêneros narrativos variam de acordo com o contexto histórico. Na classificação de Aristóteles temos duas divisões (e consequentes subdivisões):

1. Forma
1.1. Prosa – Encadeamento lógico.
1.2. Verso – Segundo Octavio Paz, neste o essencial é o ritmo. sua Forma e Conteúdo. A Forma se subdivide

2. Conteúdo
2.1.Épico – Genêro narrativo também conhecido por ficção, sendo esta entendida em seu sentido amplo, isto é, para além da ficção científica, tudo que envolve imaginção e invenção.
2.2. Lírico – poesia.
2.3. Dramático – Teatral
2.3.1. Tragédia
2.3.2. Comédia
2.3.3. Drama

            Quanto às narrativas, estas podem ser:
1. Romance – Longo tanto em número de páginas, quanto no tempo e espaço tratado no romance. Além disso, apresenta muitas personagens e conflitos.
2. Novela – O tempo é mais veloz. Difere da teledramaturgia, onde há uma infinidade de casos paralelos e de climáx.
3. Conto – Curto tanto em número de páginas, quanto no tempo e espaço da história. Apresenta poucas personagens. Atualmente, a mensagem moralizante foi suprimida por enredo fantástico ou psicológico.
4. Crônica – Texto curto e leve com temas cotidianos, geralmente publicados em jornais.

Cap. II - Elementos da narrativa
            Enquanto o teatro pode dispensar o narrador, este é o elemento organizador da novela, conto ou romance.
            São elementos da narrativa:
1. Fatos
2. História
3. Personagens
4. Tempo
5. Lugar 

            Os dois primeiros termos fazem parte do Enredo, pois este é o conjunto de Fatos de uma História. O enredo pode ser considerado segundo:
1. Natureza ficcional (Verossimilhança) – É a lógica interna do enredo que permite estabelecer empatia como leitor, causando-lhe a sensação de verdade em cada fato da história, motivado em função do climáx.
2. Partes do enredo – é subdividido em:
2.1. Exposição – Começo da história onde há a apresentação das personagens e, as vezes, do tempo e espaço. Aqui se deixa xlaro a intenção do enredo e o desejo do protagonista.
2.2. Complicação (Desensolvimento) – É a maior parte da narrativa, onde forças auxiliares do protagonista ou antagonista desenvolvem o enredo.
2.3. Clímax – Ponto culminante da história. Todas as outras partes do romance giram em torno dele.
2.4. Desfecho – solução do conflito: boa ou má.
            Importa dizer que o conflito é o elemento estruturador de todas essas partes. Sua função é dar vida e movimento na história, além de criar expectativa no leitor. Há diversos tipos de conflito: morais, religiosos, econômicos, sociais e psicológicos. Destaca-se o enredo psicológico, onde os fatos nem sempre são evidentes, mas se foca nos movimentos interiores da personagem principal.
            O terceiro termo, personagens, refere-se àqueles que fazem ação, direta ou indiretamente, no enredo. Toda personagem é uma invenção. As personagens podem ser classificadas em:
1. Protagonista – Personagem principal.
1.1.Herói – Apresenta características superiores ao grupo.
1.2. Anti-Herói – Na posição de herói, mas sem competência.
2. Antagonista – Opõe-se ao protagonista. Vilão da história.
3. Personagens secundários – Figurantes. Podem ajudar o protagonista ou antagonista.
            Podem ainda ser classificadas quanto às suas características:
1. Personagens Planas – Pouco complexas.
1.1. Tipo – Características típicas, invariáveis. Ex.: o jornalista, o estudante etc.
1.2. Caricatura – Características fixas e ridículas presentes geralmente em humor.
2. Personagens Redondas – São complexas e importa considerar sua mudança ao longo da história. Possuem muitas características:
2.1. Físicas – Corpo, voz, gestos, roupas;
2.2. Psicológicas – Personalidade e estados de espírito;
2.3. Sociais – Classe social, profissão, atividades sociais;
2.4. Ideológicas – Filosofia de vida, religião;
2.5. Morais – Se a personagem é boa ou má. Observa-se que tal julgamento varia de acordo com o ponto de vista.
            O Quarto termo diz respeito ao tempo. Este pode ser assim abalisado:
1. Época – Pano de fundo para o enredo.
2. Duração da história – Pode ser um curto período de tempo (como em Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca) ou se passar ao longo de muitos anos (como em Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez).
3. Tempo cronológico – Mensurável em horas, dias, anos etc. Transcorre na ordem natural, isto é, do começo para o final (como em Max e os Felinos, de Moacyr Scliar).
4. Tempo psicológico – Transcorre conforme o desejo do autor ou protagonista (como em Mémorias Póstumas de Brás Cubas, de Machado Assis). È comum a técnica do flashback que consiste em narrar de trás para frente).
            Por fim, o último elemento é o espaço, lugar onde se passa a ação de uma narrativa. Em trechos descritivos pode ser muito detalhado. Importa diferenciar espaço de Ambiente. Este é a aproximação do tempo e do espaço mais o clima, isto é, o determinante socioeconômico, moral ou psicológico que cerca as personagens. São funções do ambiente:
1. Situar as personagens nas condições em que vivem (tempo, espaço, grupo social).
2. Ser a projeção de conflitos vividos pelas personagens. (como em Noites na Taverna, de Álvares de Azevedo).
3. Estar em conflito com as personagens (com oem Capitães de Areia, de Jorge Amado).
4. Fornecer índices para o andamento do enredo (como em Venha Ver o Pôr-do-Sol, de Lygia Fagundes Telles).
            O ambiente pode ser caracterizado conforme:
1. Época;
2. Característica do espaço;
3. Aspectos socioeconômicos;
4. Aspectos psicológicos, morais e religiosos.

Narrador
            Não é o autor, mas uma entidade de ficção. Não se deve levar em conta a vida pessoal do autor para justificar o narrador, pois o slimites da invenção não são nítidos. Isso é válido também para as autobiografias. Foco narrativo e ponto de vista são os termos utilizados para designar a função do narrador. Há dois tipos de narrador:
1. Em primeira pessoa (narrador personagem) – Participa diretamente do enredo e seu ponto de vista é tendencioso.
1.1. Narrador testemunha – Não é o protagonista, mas narra acontecimentos de que participou.
1.2. Narrador protagonista – Narrador que é também o personagem principal (como em Dom Casmurro, de Machado de Assis).
2. Em terceira pessoa (do singular) – Conhecido também pelo nome de narrador observador, posociona-se fora dos fatos narrados e seu ponto de vista tende a ser imparcial. Apresenta onisciência (sabe tudo sobre a história) e onipresença (está em todos os lugares da história).
2.1. Narrador “intruso” – dialoga com o leitor e julga as personagens.
2.2. Narrador “parcial” – Concede mais espaço para certa personagem da história em razão de se identificar com esta.

Capítulo III – Tema – Assunto – Mensagem
            O tema é abstrato e corresponde à ideia em torno da qual se desenvolve a história.
            O assunto é concreto e trata dos fatos da história.
            A mensagem é uma espécie de “moral da história”, isto é, conclusão que se pode depreender do enredo.

Capítulo IV – Discursos
            Segundo Gancho, “Chamam-se discursos às várias possibilidades de que o narrador dispõe para registrar as falas das presonagens” (p. 37).  Podem ser de três tipos:
1. Discurso direto – fala integral da personagem. Podem ser registradas:
1.1. Usando travessão (compõe-se de verbo de elocução, dois-pontos e travessão);
1.1.1. A personagem fala diretamente – sem ser introduzido pelo narrador;
1.1.2. Outra pontuação substituindo o travessão;
1.1.3. Várias falam se sucedem sem intervenção do narrador, preservando nova linha e travessão.
1.2. Usando aspas ao invés de travessão (compõe-se de verbo de elocução, dois-pontos e aspas).
1.3. Outras formas – Não há distinção entre as falas das personagens e o narrador.
2. Discurso Indireto – Paráfrase feita pelo narrador das falas das personagens. Para tanto é necessário adequar os tempos verbais, adjuntos adverbiais e pronomes.
3. Discurso indireto livre – Mescla entre o discurso direto e indireto.

Capítulo V – Algumas questões práticas de análise de narrativas
Questões Gerais:
1. Diferentes solicitações:
1.1. Identificar – Reconhecer.
1.2. Comentar
1.3. Relacionar/Comparar – Estabelecer pontos comuns e diferentes.
1.4. Analisar – Separar.
1.5. Interpretar – Eviotar achismos. Comentar e analisar de acordo com o texto.
1.6. Dar opiniões – Emitir ideias pessoais comprovadas pelo texto.
2. Para analisar nem sempre é necessário citar, pois se podem fazer paráfrases,porém se citar, deve-se: utilizar aspas e reticências entre colchetes quando abreviar a citação, além de fornecer os dados bibliográficos.

Roteiro de Análise
            Recomenda-se:
1. Antes de analisar o texto:
1.1 Fazer anotações sobre dúvidas ou pontos de interesse.
1.2. Recorrer ao dicionário.
1.3. Anotar as primeiras impressões.
1.4. Anotar dados bibliográficos

2. Análise propriamente dita:

“1. Elemento da narrativa
      a)    Enredo
- partes do enredo;
- conflito(s): o principal e os secundários.

      b)    Personagens
- quanto à caracterização
planas: tipos/caricaturas (há? quem são?); redondas: características físicas, psicológicas, sociais, ideológicas, morais;
- quanto à participação no enredo
protagonista: herói ou anti-herói;
antagonista;
personagens secundárias.

      c)    Tempo
- época;
- duração
- tempo cronológico ou psicológico? (Deve-se justificar e exemplificar)

      d)    Ambiente (características)
- época;
- localização geográfica;
- clima psicológico;
- situação econômico-política;
- moral/religião.

      e)    Narrador
- primeira ou terceira pessoa;
- variantes.

2. Tema – Assunto – Mensagem
3. Discurso predominante
4. opinião crítica

Cap. VI – Vocabulário crítico

Cap. VII – Bibliografia comentada
           

COMENTÁRIOS
- A ficção no sentido lato pode ser entendida como romance no sentido lato?
 - O enredo deve ser analisado segundo sua estrutura e sua natureza ficcional. A verossimilhança é a natureza ficcional cujo cerne é sua estrutura e não os fatos narrados.

OBSERVAÇÃO/CONCLUSÃO FINAL
- O texto deve ser analisado em função de suas próprias “informações” e não se deve buscar fora dele, quer no contexto histórico, quer na biografia do autor (psicológica inclusive) a justificativa do texto. 


REGISTROS DOS DADOS BIBLIOGRÁFICOS
GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ática, 2006.

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